Já começou hoje nas notícias das 13h, volta a dar nas da noite, depois a transmissão em directo do Porto ou da Madeira ou outro sítio que lhes apeteça e amanhã ainda dão mais um bocadinho. É maravilhoso!!!















...de uma "miúda" mimada

Um certo dia, a seguir ao almoço os meus pais foram dormir a sesta e eu fiquei por ali. Lembrei-me de ir dar uma volta pelo parque para ver se me perdia. Fui até ao fundo, andei ao pé da rede, dei voltas e mais voltas, mas onde quer que estivesse conseguia ver sempre um depósito de água que havia no meio do parque, na rua principal, e caminhar até ele. Chegando lá já sabia ir ter à tenda.
Cheguei ao pé da minha mãe muito frustrada e disse-lhe que se não me tinha perdido naquele dia, já não me ia perder, para ela ficar descansada. E fiquei sem saber como era perder-me.
Esse parque de campismo teve muitas outras histórias…
Nesse ano foram nossos vizinhos de tenda um casal com uma menina de 3 anos, que se chamava Mara. Eu tinha 7, lembram-se?
Ela estava sempre a bater-me e eu dava-lhe de volta mas era repreendida “porque não se bate nela que é pequenina”. Acho que foi aí que ganhei a minha aversão a criancinhas… então quando ela estava por perto, eu tinha que andar sempre a fugir, era a única maneira de me defender. Um dia, a mesa já estava posta para jantarmos todos juntos, ela foi buscar uma colher e deu-me com ela mesmo no alto da cabeça. Nunca mais me esqueceu tal coisa… Ai que raiva não lhe poder bater!!!
Por essa altura eu usava o cabelo muito curto e andava sempre de calções e t-shirt. O meu pai pediu-me para ir ao quiosque do parque comprar cigarros. Quando lá cheguei o senhor que estava a atender voltou-se para mim “o que é que o menino quer?” Desatei a correr até à tenda, fiz uma birra de todo o tamanho porque não gostava do cabelo curto e não cheguei a comprar os cigarros.
Foi também nessa altura que aprendi a ter mais cuidado com as horas a que como gelados. Acabámos de almoçar, a minha mãe foi logo tomar um banho nos chuveiros não sei porquê e eu fiquei na tenda com o meu pai. Quando ela chegou, fomos ao café e acabámos por comer um gelado cada uma, o meu pai não comeu. Ao fim da tarde senti-me muito mal e comecei a vomitar. Os meus pais levaram-me ao médico e ele chegou à conclusão que a má disposição tinha sido do gelado. Lembro-me de ele me dizer “a tua sorte foi teres vomitado…”. A partir daí comecei a entender que vomitar não é mau, é bom, o que é mau é o que provocou o vómito.
Lembro-me de ir com uma bolsa de pano bater à porta das pessoas da família para me darem o Pão por Deus. Quando ia com a Joana batíamos à porta de quase toda a gente… Ela tinha muitos familiares e amigos. Davam-nos bolos secos, frutos secos, rebuçados, fruta (maças e pêras) e algum dinheiro. Quando eu ia sozinha só batia à porta das pessoas que eu sabia que estavam mesmo à minha espera e que me iam dizer “porque é que não vieste cá?” se eu não aparecesse. Não gostava da sensação de andar a pedir, não tinha necessidade disso.
Por outro lado, quando eu andei na escola, nas aulas de inglês falava-se do “Halloween” como sendo uma tradição inglesa. As crianças vão pelas ruas batendo de porta em porta, umas pessoas dão-lhes guloseimas e outras pregam-lhes partidas. Eu, na aula, abanava a cabeça em sinal de compreensão e pensava “aqueles ingleses são mesmo malucos”.
Agora está tudo ao contrário, é mais Halloween do que Pão por Deus. As crianças vêm bater-me à porta na noite de 31 em vez de ser no dia 1 de Novembro. Isto de se perderem as nossas tradições e se adoptarem as dos outros é muita falta de personalidade, de bairrismo, de defendermos o que é nosso!

Tenho tantas histórias com a Joana que nem sei por onde começar…
Lembro-me que o João um dia estava a brincar à beira da água comigo, escondeu o meu baldinho azul dentro de água e eu fiquei muito aflita porque não sabia dele e achei que a água o tinha levado. Logo a seguir ele deu-me o baldinho e eu fiquei muito contente, afinal ele esteve sempre a agarrá-lo.
Outra cena que me lembro foi a de me chamarem porque estava na hora de ir embora da praia e quando cheguei ao pé das toalhas, um dos adultos mandou-me ir lavar os pés ao mar para tirar a areia. Eu fui e quando voltei a pisar a areia seca os pés voltaram a encher-se de areia, claro! Fiquei muito chateada e voltei a lavar os pés, foi aí que o João pegou em mim ao colo e só me largou em cima de uma toalha. Gostava de saber se ele ainda se lembra disto, provavelmente não.